terça-feira, 28 de abril de 2015

Fw: O CARÁTER DO CRISTÃO E A VITÓRIA SOBRE O PECADO - Pr. Russel Shedd...

 
O CARÁTER DO CRISTÃO E A VITÓRIA SOBRE O PECADO

 

A vida pastoral e ministerial é marcada por lutas e desafios. Muitas vezes, nessa jornada difícil e gloriosa, muitos pastores e líderes parecem não se lembrar de que são feitos de carne e osso. Acabam se esquecendo que são frágeis e que são pecadores. Apesar de nosso conhecimento e de nossa função ou posição ministerial, nunca podemos nos esquecer que pastor e líder devem desenvolver seu caráter cristão e que devem vencer a luta contra o pecado.

 

A Bíblia nos mostra que a queda de Adão e Eva muito desfigurou moralmente os seus descendentes. Essa realidade explica por que o ser humano vive em contradição consigo mesmo e com a sociedade na qual estamos inseridos. Nenhuma outra criatura feita por Deus sofre consequências tão devastadoras e destrutivas, decorrentes da realidade do pecado. Um cachorro, por exemplo, não precisa luta contra maus desejos. Ninguém jamais viu um gato viciado em drogas. Os animais mostram-se satisfeitos com a natureza que herdaram, mas o homem, não.

 

Criado à imagem de Deus, o ser humano foi feito para refletir a glória de Deus. Mas a maioria de nós pensa que suas realizações e conquistas são fruto de sua própria criatividade. Em vez de agradecimento, destacam-se a soberba e a arrogância humanas. Para piorar o quadro, em vez de gratidão, vemos rebelião. É impressionar observar como rivalidade, inveja e avareza são notórios no comportamento do cotidiano, promovendo guerras e matanças. Por isso, com muito propriedade, as Escrituras afirmam: "De onde vêm as guerras e contendas que há entre vocês? Não vêm das paixões que guerreiam dentro de vocês? Vocês cobiçam coisas, e não as têm; matam e invejam, n|o conseguem obter o que desejam". Estas palavras de Tiago, meio-irmão de Jesus, descrevem a realidade que caracteriza o herdeiro da natureza pecaminosa de Adão.

Mas o fato intrigante para quem se dedica ao estudo da antropologia é que, mesmo diante desse caráter defeituoso e mau, nós, humanos, desejamos ser íntegros, confiáveis, amáveis, benevolentes e generosos. Isso é ainda mais claro na vida de cristãos que se consagram a Deus. O cristão, que recebe o Espírito de Deus no novo nascimento, sinceramente deseja ser alguém que reflete a imagem de Deus, conforme dada ao primeiro casal. O cristão sincero quer ser alguém que vive de acordo com a Lei de Deus. Mas, infelizmente, apesar da disposição do coração de tantos servos de Deus, os escândalos, as decepções com outros cristãos e até mesmos líderes, mancham as páginas da história. E a verdade é que, se formos honestos, mancham a nossa própria história. Foi por isso que J. Goforth certa vez afirmou que todos os pecados cometidos fora da igreja encontram-se dentro dela, talvez em menor intensidade.

 

Qual é então o problema? Onde está a chave da questão? Paulo admitia não entender o que fazia: "pois não faço o que desejo, mas o que odeio" (Rm 7.15). O problema é mais profundo. Está dentro de nós. A contradição mostra-se claramente arraigada no fundo do nosso coração. E isso não deixa de ser verdade no caso do líder e do pastor. A luta contra o pecado continua mesmo para os mais experientes e consagrados. Contra o ideal que almejamos como cristãos sinceros, destacam-se alguns inimigos poderosos. Gostaria de mencionar apenas quatro neste artigo.

 

Soberba

 

Nossa autoestima, muitas vezes autocentrada, não permite que nos avaliemos honestamente. Aos nossos próprios olhos somos pessoas boas, agradáveis, bem-intencionadas, honestas e justas. Até chegamos a rir ao ouvir o fariseu agradecendo a Deus por não ser como os outros homens (Lc 18.11), mas não somos tão diferentes. Nós não nos comparamos aos outros achando de fato que somos piores do que eles. Em nossas orações - "Perdoe nossos muitos pecados"- é um pedido muito repetido, mas quase nunca se menciona nenhum deles.

 

Pecado sexual

 

A preocupação com o pudor e o respeito já não são marca de nossa sociedade há muitas décadas. Cartazes chocantes e despudorados, fotos eróticas impróprias multiplicam-se por toda a parte em nosso cotidiano. Filmes, TV, novelas, revistas e internet exploram a atração sexual. A pornografia está em toda parte. O sexo tornou-se mero veículo de propaganda comercial. O efeito desse assalto ao pudor muitas vezes não fica apenas na tentação, mas acaba transformando-se em pecado. Jesus nos advertiu: "Qualquer que olhar para uma mulher e desejá-la cometeu adultério com ela no seu coração" (Mt 5.28). O apóstolo Paulo também nos exorta: "Fuja dos desejos malignos da juventude e siga a justiça" (2Tm 2.22). O próprio Jó também enfrentou esta tentação: "fiz acordo com meus olhos de não olhar com cobiça para as moças" (31.1). É preciso fugir do pecado sexual.

 

Honestidade financeira

 

O caráter do cristão se revela pelo seu procedimento para com as riquezas alheias. Paulo tinha grande receio de aparentar ou mesmo permitir alguma acusação de tocar na oferta levantada pelas igrejas da Grécia para os necessitados da Judeia. Ele até chegou a pedir que as igrejas mandassem representantes para acompanhá-lo (1Co 16.1-4).

 

Não foi somente Judas que aproveitou a confiança dos discípulos para roubar do fundo de manutenção dos discípulos. Paulo escreveu para os coríntios: "ao contrário de muitos, não negociamos a palavra de Deus visando lucro; antes, em Cristo falamos diante de Deus com sinceridade, como homens enviados por Deus" (2Co 2.17). Tenham sempre o cuidado de manter o alto padrão de caráter com relação ao aspecto financeiro. Esse deve ser o compromisso de todo cristão, principalmente líder e pastor.

 

Paulo se apresenta, no livro de Atos e em suas cartas, como modelo de integridade. Isso fica claro nos escritos de Lucas onde vemos que, longe de amar o dinheiro, Paulo trabalhava com as mãos para sustentar a si mesmo e a seus companheiros: "Não cobicei a prata nem o ouro nem as roupas de ninguém. Vocês mesmos sabem que estas minhas mãos supriram minhas necessidades e as de meus companheiros. Em tudo o que fiz, mostrei-lhes que mediante trabalho árduo devemos ajudar os fracos, lembrando as palavras do próprio Senhor Jesus, que disse: "Há maior felicidade em dar do que em receber" (At 20.33-35).

 

Quando foi preso pela acusação falsa de ter levado o gentio Trófimo para a área do templo restrita apenas aos judeus, Paulo foi chamado por Félix, o governador, para ouvi-lo sobre a fé em Cristo Jesus. "Quando Paulo se pôs a discorrer acerca da justiça, do domínio próprio e do juízo vindouro, Félix teve medo" (At 24.25). Certamente Félix tinha observado a conduta de Paulo. Ele conhecia a esperança dos profetas de que haverá ressurreição tanto de justos como de injustos. Paulo deixa claro seu compromisso com a honestidade: "Por isso, procuro sempre conservar minha consciência limpa diante de Deus e dos homens" (At 24.15). Mas, Félix, sendo um homem sem moral e corrupto, esperava que Paulo lhe oferecesse algum dinheiro, pelo que mandava buscá-lo frequentemente e conversava com ele (At 24.26).

 

Autodefesa

 

Negar admitir a própria culpa e esconder os pecados não condiz com a vida transformada pela fé salvadora em Cristo. Andar na luz e confessar transgressão foi o caminho que Davi tomou quando o profeta Natã o confrontou no caso do seu pecado com Bate-Seba (2Sm 12.13). Não há dúvida de que é mais fácil rebater o confronto direto diante de um deslize grave com mentiras ou com tentativas de apenas se desculpar. Mesmo quando se admite um pecado condenável, o culpado tantas vezes se defende tentando minimizar a gravidade da ofensa. "A doutrina bíblica do arrependimento depende do fato de que todo pecado é uma grave afronta contra Deus", afirma Richard Owen Roberts em sua obra Arrependimento: a Primeira Palavra do Evangelho.

 

Conclusão

 

Não sei se os nossos dias provam-se mais pecaminosos do que tempos passados. Uma verdade pode ser afirmada sem perigo de contradição. O cristão, líder ou liderado, pastor ou não, não será vencedor apenas com boa vontade. Um caráter, se não for formado sobre o sólido fundamento das Escrituras Sagradas, não será capaz de vencer os assaltos que as tentações de nossos dias lançam diante de nós. Quem não depender da Palavra e estiver mal preparado fracassará. Numa época de discursos vazios e politicamente corretos, todos os cristãos - pais, pastores, líderes, professores, entre outros - têm o dever sagrado de advertir filhos, membros de igreja e alunos sobre os perigos que nos rodeiam. Que Deus nos ajude a vencer a luta contra o pecado.

 

Russell Shedd

É PhD em Novo Testamento peta Universidade de Edimburgo (Escócia). Fundou a Edições Vida Nova há mais de 40 anos e atualmente é consultor da Shedd Publicações.

 

O Espírito Está Pronto, Mas a agenda é Apertada


O Espírito Está Pronto, Mas a agenda é Apertada

Por Garret Kell28/04/2015

http://voltemosaoevangelho.com/blog/2015/04/o-espirito-esta-pronto-mas-a-agenda-e-apertada/?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+voltemosaoevangelho+%28Voltemos+ao+Evangelho%29

"Ore para que Deus marque compromissos divinos nesta semana. Peça-lhe que interrompa sua vida e o use para falar com alguém sobre Jesus."

Este foi meu encorajamento final durante a mensagem de domingo em Romanos 10.

Claro que, após o culto, havia um jovem rapaz em nosso estacionamento à procura de alguém para ajudá-lo a colocar sua vida no rumo certo. E claro, eu tinha quatro crianças agitadas no carro e planos para a tarde.

Momentos como esses me tentam a mudar a minha oração de "Senhor, usa-me" para "Senhor, use-me quando eu tiver algum tempo livre".

O ministério pastoral pode ser muitas coisas, porém, "conveniente" não é o melhor termo para descrevê-lo. O fato dessas interrupções serem compromissos divinos garante que provavelmente não se encaixarão ordenadamente em nossa agenda.

Assim, se o Espírito está pronto para marcar compromissos divinos, como deveríamos nos preparar para responder, mesmo quando a nossa agenda estiver lotada? Não há respostas mágicas, mas aqui estão alguns pontos para considerar em espírito de oração.

1.Ore por encontros divinos.

Deus está soberanamente operando seus propósitos na história. Ele coloca pessoas onde deseja que estejam (Atos 17:21) e incrivelmente prepara as circunstâncias para atrair pessoas para si mesmo (Atos 8:26-40). Como seus seguidores, devemos estar preparados, dispostos e desejosos a lhe apresentar pessoas (Isaías 6:8; Mateus 28:18-20; Atos 1:8; 2 Coríntios 5:20).

Ore para que Deus o use. Ore para que use sua igreja. Ore regularmente para que ele interrompa sua agenda e prepare as circunstâncias para que você tenha a oportunidade de falar aos outros sobre ele. Peça para ele abrir portas a fim de que a Palavra seja pregada (Atos 14:27; 1 Coríntios 16:9; Colossenses 4:2; Apocalipse 3:8) e para abrir seus olhos para ver os encontros que ele está planejando.

2.Ore por respostas divinas

Quando oramos, deveríamos esperar que Deus responderá. Servimos a um Deus que se deleita em encontrar e usar pessoas disponíveis (2 Crônicas 16:9). Isso significa que, quando acordamos todas as manhãs, deveríamos esperar grandemente que o Deus dos céus nos usará na terra naquele dia para a sua glória. Alguns dias esse processo será mais óbvio que outros, mas devemos sempre esperar que ele nos use.

Há muito tempo, minha esposa disse: "Cada breve encontro vem do Senhor". Uma vez que não há algo como sorte ou acaso, devemos sempre nos lembrar que quando encontramos pessoas em nossa família, vizinhança, trabalho e caixa do supermercado (saia, por favor, do celular), isso acontece porque Deus planejou que acontecesse dessa forma.

Você está buscando uma porta aberta ao conversar com alguém? Está perguntando às pessoas sobre suas vidas? Está perguntado às pessoas como pode orar por elas? Está empurrando portas nos relacionamentos para ver se o Senhor abre uma?

Conheço um presbítero e sua esposa que preparam uma refeição grande praticamente todos os domingo para que possam convidar pessoas que encontram na igreja para almoçar. Tenho ouvido alguns testemunhos de pessoas que sentaram na frente deles na igreja e foram convidadas por eles para almoçar. Essa família do presbítero estava preparada para ser usada pelo Senhor.

Outra maneira prática para planejar respostas divinas é estocar recursos que você possa dar às pessoas que estejam interessadas em saber mais. Eu tenho cópias das Escrituras e um folheto evangelístico na minha mochila quando viajo, no meu carro, no meu escritório e na igreja. Também tenho um plano de leitura bíblica para entregar a quem se mostre interessado em ler a Bíblia.

3.Ore para saber quando deveria deixar de lado uma possível oportunidade evangelística

Nunca faltaram oportunidades para Jesus ministrar. Entretanto, Jesus não ministrava para toda pessoa que vinha até ele. Às vezes, ele dizia "não" para as oportunidades diante dele, porque tinha outros negócios do Pai para cuidar (Marcos 1:36-38).

Jesus tinha uma vantagem, sendo onisciente e tal, mas ele nos dá seu Espírito para nos guiar (João 16:33; Atos 8:29, 10:19, 13:2) e sabedoria conforme pedirmos (Mateus 7:7-11; Tiago 1:5).
Há tempos que não estamos disponíveis para compartilhar o evangelho porque temos outras coisas que o Senhor quer que façamos.

Por exemplo, não ficamos no domingo para compartilhar o evangelho com aquele rapaz no estacionamento depois da igreja. Não era o momento certo. Trocamos e-mails e eu o apresentei a alguns de nossos membros, mas, para mim, naquele dia, foi melhor manter o compromisso que tinha com minha família. Em outra ocasião, poderíamos convidá-lo para almoçar ou eu poderia falar para minha família ir antes para casa e eu ficaria para conversar com ele.

Ore para que o Senhor o ajude a caminhar em sabedoria e descansar no fato de que você não é o Salvador.

4.Ore para saber quando seus planos estão ficando no caminho dos planos de Deus

Há momentos em que as coisas boas que fazemos estão no caminho das grandes coisas que Deus quer que façamos. Em Lucas 9:57-62, Jesus encontra três pessoas que poderiam ser seus seguidores, mas, ao serem questionadas para segui-lo, deram o que parece ser boas desculpas. Garantir abrigo, enterrar um parente que morreu e dizer adeus à sua família me parecem razões melhores para adiar seguir a Jesus do que as desculpas que normalmente dou.

Essa passagem deve nos lembrar que não devemos "nos estribar no nosso próprio entendimento" (Provérbios 3:5-6) e deve nos ajudar a escolher a "melhor porção" (Lucas 10:38-42). Precisamos da graça para vermos coisas em nossas agendas que podem ser deixadas de lado para que tenhamos tempo livre. Devemos estar em espírito de oração para que Deus possa cultivar em nós um coração sensível como o do jovem Samuel (1 Sam 3:1-11), de maneira que, se sentirmos Deus nos chamando para fazer algo, possamos responder com fé expectante.

É nesse ponto que é essencial estar em uma comunidade amorosa, intencional e franca. Preciso de pessoas que me ajudem a pensar sobre minhas prioridades. Não estou isento de que meu conforto e meus planos pessoais interfiram e escureçam minha habilidade de ver o que Deus tem colocado na minha frente. Ajudemo-nos uns aos outros a estar atentos aos encontros divinos e a criar uma cultura em nossas igrejas na qual nos rendemos ao chamado do Senhor para fazer seu nome conhecido.

5.Descanse na graça de Deus se você perder uma oportunidade.

Todos nós perderemos compromissos divinos. Somos pecadores que, por muitas razões, estamos propensos a ter os ouvidos surdos, os corações, endurecidos e os sentidos, entorpecidos. Certos casos, nos quais pareço ter perdido uma oportunidade divinamente ordenada para direcionar alguém para Cristo, ainda me assombram. E, embora devamos sempre aprender e nos arrepender quando for o caso, precisamos descansar no fato de que a graça de Deus cobre todas as nossas falhas.

A boa notícia do evangelho é que Jesus morreu e ressuscitou por pecadores, incluindo os que perdem compromissos divinos. Assim, se você estiver muito atarefado para notar ou temeroso demais para falar, lance-se sobre a misericórdia incomparável do Senhor — e prepare-se para a próxima oportunidade que ele colocar diante de você.

O Espírito está pronto para nos usar, portanto aproxime-se do Senhor e peça que ele o faça. Nada melhor do que ter a mensagem da graça de Deus e a agenda cheia de compromissos divinos. Senhor, usa-nos!

Agradecimentos a Blake White(@ablakewhite) por seu twittar "O Espírito está pronto, mas a agenda está apertada", que me fez pensar sobre este artigo e a Tim Challies (@challies) por este post sobre produtividade, na qual uma das seções era sobre estar pronto para compromissos divinos.

Quero também, fortemente recomendar o livro de Kevin DeYoung "Super Ocupado" e "What's Best Next" de Matt Perman para você ler. Estes recursos maravilhosos o ajudarão a pensar melhor sobre como ter uma agenda cheia para a glória de Deus.

Por: Garrett Kell. © 2014 The Gospel Coalition. Original: The Spirit Is Willing But The Schedule Is Tight.

Tradução: César Augusto. Revisão: Vinícius Musselman Pimentel. © 2014 Ministério Fiel. Todos os direitos reservados. Website: VoltemosAoEvangelho.com. Original: O Espírito Está Pronto, Mas a agenda é Apertada.

Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que informe o autor, seu ministério e o tradutor, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.