quarta-feira, 22 de julho de 2015

NASCIDOS DE DEUS

NASCIDOS DE DEUS

 

“Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé.” (1 João 5:4 RC)

 

1.   Nascidos de Deus! Foi sobre esse tema que Jesus conversou com Nicodemos.

 

2.   Ser nascido de Deus (nascimento espiritual) é o melhor nascimento que existe. Se não me engano foi Russel Shedd quem muito bem se expressou dizendo que uma pessoa que nasceu (nascimento físico), em berço de ouro todo decorado com diamantes e outras pedras preciosas mais, mas não nasceu de Deus (nascimento espiritual), não é bem-aventurado conforme o é um operário que sustenta a família com um salário mínimo ou menos (a parábola do rico e Lázaro, contada por Jesus, ilustra muito bem essa verdade). A razão de essa afirmação ser verdadeira é que o nascido de Deus é vitorioso de verdade, enquanto o que não é nascido de Deus pode sê-lo apenas aparentemente, temporalmente, mas não definitivamente.

 

3.   Calvino, comentando I João 5:4, disse:

 

“Esta passagem é notável; pois embora satanás continuamente lance seus temíveis e terríveis assédios, contudo, o Espírito de Deus, declarando que estamos além do alcance do perigo, remove o perigo, e anima-nos a combater com coragem”

 

(Citado por Champlim em O N. T. Interp. Vers. por Vers.)

 

4.   Alford, também citado por Champlim, comenta:

 

“O argumento, pois, consiste do seguinte: os mandamentos de Deus não são pesados, pois embora na sua observância sempre haja um conflito, contudo esse conflito resulta em uma vitória universal – a massa inteira dos nascidos de Deus conquista o mundo. Portanto, nenhum de nós precisa pensar em fracasso, ou desmaiar sob a sua própria dura luta”.

 

5.   Outro comentarista, Hoon, também citado por Champlim, diz que a vitória envolve os seguintes pensamentos:

 

“...a alegria sobre a infelicidade...; a comunhão sobre a solidão...; a honestidade sobre o orgulho moral e a auto-ilusão...; a retidão e a santidade sobre o pecado...; a pureza sobre as concupiscências mundanas...; a verdade sobre o erro...; a confiança sobre o temor, a dúvida e o desencorajamento...; A VIDA ETERNA SOBRE O TEMPO E A MORTE...”

 

6.   Ser nascido de Deus é, portanto, algo indizivelmente maravilhoso. Mas quem é o nascido de Deus? Quais são as suas características distintivas? Vejamos algumas apenas, que podem ser expressas em uma única frase:

 

A pessoa que nasceu de Deus não vive na prática do pecado, está em pleno processo de santificação e adquirindo as qualidades morais de Deus porquanto, em Jesus, passou a possuir a retidão divina.

 

7.   Em forma de esboço essa frase poderia ser construída assim:

 

A pessoa que nasceu de Deus:

 

1) não vive na prática do pecado,

2) está em pleno processo de santificação

3) e adquirindo as qualidades morais de Deus porquanto, em Jesus, passou a possuir a retidão divina.

 

8.   Quanto a não viver na prática do pecado, assim lemos em 1 João 3.6:

 

“Todo aquele que permanece nele não vive pecando; todo aquele que vive pecando não o viu, nem o conheceu” (RA)

 

a.   Coloquei esse texto aqui na versão Revista e Atualizada. O original grego diz simplesmente “não peca”, e na versão Revista e Corrigida a tradução vem assim, mas a frase está construída em um tempo verbal que indica a continuidade da ação, ficando subentendido que o crente verdadeiro foi livre do hábito do pecado. Todo mundo peca, e o crente também; e João sabia disso, tanto que nessa mesma carta, em 1:8, ele escreveu: Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós” (RC). Mas o nascido de Deus não vive na prática do pecado porque permanece “nele” (Cristo), e, como diz o versículo anterior, “ele se manifestou para tirar o nosso pecado, e nele não há pecado”.

 

b.   O Nascido de Deus “permanece”, isto é, vive uma vida de companheirismo, não só com o Filho, mas também com o Pai, pela mediação do Espírito que nele habita, e isso exige uma vida de santidade, porque o nosso Deus é Santo.

 

c.   Ainda segundo o nosso texto, aquele que vive na prática do pecado não é nascido de Deus, “não o viu e nem o conheceu”. Notem essa frase “não o viu e nem o conheceu”. Trata-se de uma visão espiritual, uma visão com a alma, uma visão purificadora que leva ao conhecimento de quem é Cristo e o que ele tem feito por nós e espera de nós. Todos os servos verdadeiros de Cristo têm essa visão, e, como servos, permitirão que ele os transforme segundo o seu querer. Calvino comentou:

 

“Cristo nunca fica dormente onde reina, mas o Espírito torna eficaz o seu poder. E pode-se dizer corretamente a respeito dele que ele põe o pecado em fuga, em nada diferente, pois, da forma como o sol expulsa as trevas com o seu resplendor. E novamente somos ensinados, neste lugar, quão forte e eficaz é o conhecimento de Cristo, porquanto nos transforma em sua imagem”.

 

(Citado por Champlim em O N. T. Interp. Vers. por Vers.)

        

9.   Quanto a estar em pleno processo de santificação e adquirindo as qualidades morais de Deus, veja os seguintes textos que dão-nos conta disso:

a.   Sobre a santificação:

 

“... libertados do pecado e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto para santificação, e por fim a vida eterna.” (Romanos 6:22 RC)

 

“... esta é a vontade de Deus, a vossa santificação...” (1 Ts 4:3 RC)

 

“... não nos chamou Deus para a imundícia, mas para a santificação.” (1 Ts 4:7 RC)

 

 “Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hebreus 12:14 RC)

 

b.   Sobre estar adquirindo as qualidades morais de Deus:

 

“Mas o fruto do Espírito é: caridade, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. Contra essas coisas não há lei.” (Gálatas 5:22-23 RC)

 

10.       Você já é um nascido de Deus? Você consegue perceber essas características distintivas em sua vida?

 

 

Pr. Walmir Vigo Gonçalves

Muqui – Julho de 2015

domingo, 28 de junho de 2015

COMO VOCÊ ESTÁ OUVINDO A PALAVRA DE DEUS?

COMO VOCÊ ESTÁ OUVINDO A PALAVRA DE DEUS?

 

Lucas 8.18 – "Vede, pois, como ouvis..."

 

INTRODUÇÃO

 

1.    "Vede, pois, como ouvis", disse Jesus a seus discípulos.

2.    Pra entendermos bem é bom vermos o contexto:

a.    Jesus, rodeado por uma grande multidão, conta uma parábola. Uma parábola é uma história, geralmente curta, na qual o conjunto de elementos evoca, por comparação, outras realidades de ordem superior. A parábola contada por Jesus à multidão foi a "Parábola do Semeador", com a intenção não de dar uma aula sobre como e onde semear para que se tenha uma boa colheita. NÃO!!! A intenção de Jesus era apontar os diversos comportamentos, a curto, médio e longo prazo, daqueles que o ouviam em relação àquilo que ele lhes falava. E consequentemente, em decorrência dos diversos comportamentos, os diversos resultados – versos 4-8

b.    À multidão não, mas a seus discípulos, em particular, Jesus explica o significado da parábola – veja esse significado nos versos 11-15.

c.    Depois Jesus conta aos discípulos uma outra parábola, a da Candeia – Se vocês são de fato luz no Senhor, hão de ser "acesos" e hão de manifestar-se como tais, e somente à medida em que forem se manifestando é que vão recebendo mais luz. Então: "vede como ouvis", ou, poderíamos dizer, *prestem bem atenção em o que estão ouvindo e como estão ouvindo*. Alguém disse muito apropriadamente que há coisas que não deveríamos ouvir de forma alguma, e outras há que, ouvidas, deveriam ser esquecidas, mas também há aquelas que deveriam ser ouvidas, guardadas e praticadas – é o caso da Palavra de Deus.

3.    Muito bem, então esse é o contexto em que essa observação de Jesus aos seus discípulos está ligada nessa parte das Escrituras.

4.    Vede como ouvis aquilo que Deus vos fala...

5.    Então vamos ver alguns exemplos de ouvir e depois vamos pensar em o que e como precisamos ouvir.

6.    Primeiro vejamos alguns exemplos de pessoas que ouviram mas agiram em desconformidade com o que ouviram.

 

I. ALGUNS EXEMPLOS DE PESSOAS QUE OUVIRAM MAS AGIRAM EM DESCONFORMIDADE COM O QUE OUVIRAM.

 

1.    Adão e Eva – ouviram e entenderam, mas deram mais crédito à voz do inimigo –Gênesis 2.15-17 e 3.1-6.

2.    Caim – Ouviu mas não fez conforme Deus orientou – "O pecado jaz à porta" – Gênesis 4.1-8

3.    Saul – Ouviu, desobedeceu e ainda deus desculpas... – 1 Samuel 15.1-23

4.    Judas Iscariotes – Ouviu e viu grandes palavras e grandes feitos, mas traiu a Jesus – A história está registrada ao longo dos evangelhos e é bem conhecida nossa.

5.    Agripa – ouviu, mas, apesar de crer nos profetas, endureceu... – Atos 26

6.    Os Gálatas – Ouviram bem, mas logo se esqueceram e se desviaram para outro evangelho – Gálatas 1.6-9

7.    E, olhando para o contexto do nosso texto, na explicação da parábola do Semeador, Jesus diz que há, negativamente:

a.    Os que ouvem, mas imediatamente vem o diabo e tira-lhes do coração a Palavra – v. 12

b.    Os que ouvem e até, a princípio, recebem com alegria, mas não criam raiz e, tentados, caem facilmente – v. 13

c.    Os que ouvem, caminham um pouco em acordo com essa palavra, mas, finalmente, se deixam vencer/sufocar por algumas coisas desta vida (v14). E Jesus cita alguns exemplos de "coisas desta vida":

                                  i.    preocupações/cuidado – que tiram nossa atenção de Deus e a desvia para as necessidades desta vida;

                                ii.    riquezas/bens materiais -

                               iii.    os deleites/prazeres desta vida – o desejo por prazer, por entretenimento a qualquer custo sufocam a palavra.

8.    Vistos estes exemplos negativos, vejamos agora alguns exemplos de pessoas que ouviram e agiram em conformidade com o que ouviram.

 

III. ALGUNS EXEMPLOS DE PESSOAS QUE OUVIRAM E AGIRAM EM CONFORMIDADE COM O QUE OUVIRAM.

 

1.    Abraão – Ouviu e atendeu com prontidão – Gênesis 12.1-8

2.    Moisés – Ouviu, até resistiu à voz de Deus, mas finalmente cedeu a Deus – Gênesis 3 e 4

3.    A Mulher Samaritana – ouviu, creu e anunciou – João 4

4.    Zaqueu – Ouviu a ordem de Jesus: "Desce depressa"... e ele desceu... – Lucas 19.1-10

5.    Os Colossenses – Ouviram e cresceram na fé e no amor – Colossenses 1.1-8

6.    Timóteo – Ouviu, não esqueceu, e ainda jovem envolveu-se... – 2 Timóteo 1.1-5

7.    E, voltando ao contexto do texto inicial, na parábola do Semeador, Jesus diz que há aqueles que ouvem e conservam a Palavra no coração e frutificam com perseverança.

8.    Bem, tendo visto tanto exemplos negativos quanto positivos, vejamos um pouco agora sobre o que precisamos ouvir e como precisamos ouvir.

 

III. O QUE PRECISAMOS OUVIR E COMO PRECISAMOS OUVIR?

 

1.    O que precisamos ouvir?

a.    Precisamos ouvir que a simples aparência não tem valor diante de Deus – conforme o contexto de nosso texto inicial, quem tem mais lhe será dado, mas quem não tem de verdade até aquilo que parece ter lhe será tirado, e Deus sabe quem é só aparência, porque nada Lhe pode ser ocultado.

b.    Precisamos ouvir que o EVANGELHO é o poder de Deus para a salvação... – Romanos 1.16

c.    Precisamos ouvir que é Jesus quem tem as palavras de vida eterna e que ele é o Cristo, o filho do Deus vivo – João 6.68

d.    Precisamos ouvir que Ele, Jesus, é o Emanuel (Deus conosco) – Mateus 1.23 e João 1.1

e.    Precisamos ouvir que Ele, Jesus, é o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo – João 1.29

f.      Precisamos ouvir que é Jesus o caminho, a verdade e a vida e que ninguém vai ao Pai se não for por ele – João 14.6

g.    Precisamos ouvir, e ouvir bem, que "em nenhum outro há salvação" e que, debaixo do céu, "nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos" – Atos 4.12

h.    E depois que ouvirmos e respondemos positivamente a tudo isso, então precisamos ouvir que requer-se daqueles que assim ouviram e atenderam, viver uma vida santificada.

                                  i.    Em 1 Tessalonicenses 5.22, em meio a uma série de orientações encontramos que devemos nos abster de toda forma/aparência de mal;

                                ii.    Em Judas, verso 23, vemos que devemos aborrecer até a roupa manchada da carne;

                               iii.    Em Romanos 13.14 lemos que devemos nos revestir do Senhor Jesus e nada devemos dispor para a carne no tocante às suas concupiscências;

                               iv.    Em Romanos 6, a partir do verso 11, lemos que devemos nos considerar mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus; o pecado não deve reinar em nosso corpo mortal e não devemos apresentar nossos membros ao pecado como instrumentos de iniquidade, e devemos nos apresentar a Deus como vivos dentre os mortos e os nossos membros a Deus como instrumentos de justiça;

                                 v.    Em Colossenses 3 lemos que devemos pensar nas coisas que são de cima, buscar as coisas que são de cima, fazer morrer a nossa natureza carnal nos despindo de todas as más qualidades de nossa carne e nos revestindo de todas as boas qualidades celestiais;

                               vi.    “... noutro tempo, éreis trevas, mas, agora, sois luz no Senhor; andai como filhos da luz..., aprovando o que é agradável ao Senhor. E não comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas, antes, condenai-as. Porque o que eles fazem em oculto, até dizê-lo é torpe. Mas todas essas coisas se manifestam, sendo condenadas pela luz, porque a luz tudo manifesta. Pelo que diz: Desperta, ó tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te esclarecerá. Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, remindo o tempo, porquanto os dias são maus. Pelo que não sejais insensatos, mas entendei qual seja a vontade do Senhor. E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito”, é o que lemos em Efésios 5:8-18;

                              vii.    A vontade de Deus é a nossa santificação e cada um deve saber possuir o seu vaso (corpo) em santificação e honra porque Deus não nos chamou para a imundícia, mas para a santificação – 1 Tessalonicenses 4.3, 4 e 7.

                             viii.    E por aí vai...

2.    Então, são essas coisas que precisamos ouvir...

3.    E como precisamos ouvir?

a.    Precisamos ouvir tudo isso e muito mais que encontramos na Palavra de Deus, com uma mente ansiosa por entender e com disposição pronta em obedecer – ouvir, guardar e praticar.

 

CONCLUINDO

 

1.    Em Apocalipse 3.20 Jesus diz à igreja de Laodicéia: "Eis que estou à porta e bato, se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e com ele cearei e ele comigo..."

2.    ...

 

Pr. Walmir Vigo Gonçalves

 

Muqui, Junho de 2015

quinta-feira, 18 de junho de 2015

O SERMÃO PROFÉTICO – Eliezer Andrade

O SERMÃO PROFÉTICO

Recebido de Eliezer Andrade – Foz do Iguaçu

 

           

Quando os discípulos pediram ao Senhor Jesus um sinal a respeito da Sua vinda e do fim do mundo, Ele respondeu advertindo-os e revelando três sinais (Mateus 24. 3,4).

 

Primeiro sinal“porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo, e enganarão a muitos” (v. 5).

           

Segundo sinal“E ouvireis falar de guerras e de rumores de guerras; olhai, não vos assusteis, porque é necessário que assim aconteça, mas ainda não é o fim” (v. 6).

           

Terceiro sinal – “Porquanto se levantará nação contra nação, reino contra reino, e haverá fomes, e pestes, e terremotos em vários lugares” (v. 7).

           

E acrescentou: “Mas tudo isto é o princípio das dores” (v. 8). “E este evangelho do Reino será pregado em todo o mundo, para testemunho em todas as nações, e então virá o fim” (v. 14).

           

E concluiu: “Porém daquele Dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão o Pai” (v. v. 36). “Vigiai, pois, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor” (v. 42). “..., porque o Filho do Homem há de vir à hora em que não cuidais” (v. 44).

           

Embora alguns estudiosos afirmem que estas profecias acontecerão durante as setenta semanas de Daniel, principalmente na grande tribulação, outro grupo acredita que Jesus está falando de eventos que acontecerão nos nossos dias e seu foco está nos detalhes e no tempo presente. Na verdade, estudo mais profundo indica que no momento há muitas dores, todavia, elas aumentarão em intensidade e freqüência até que chegue a era do Reino, o tempo da regeneração (Mateus 19.28; Atos 3.21).

           

Assim, todos estes sinais preditos pelo Senhor Jesus já se manifestam nas seguintes áreas:

           

- na área religiosa: falsos líderes, movimentos religiosos com confusão doutrinária, mornidão nas igrejas, crentes desanimados, líderes desmotivados, falta de testemunho dentro e fora da igreja; aparecimento de seitas satânicas;

           

- nas áreas política e social: guerras e rumores de guerras, corrupção, desonestidade, imoralidade, nação contra nação, reino contra reino; fomes, pestes, epidemias e muita miséria em vários lugares;

           

- na área da própria natureza – inundações devastadoras, desequilíbrio climático com frio e calor em excesso e terremotos em vários lugares. Os terremotos sempre ocorreram, porém é notório que nunca vieram com tanta frequência e intensidade devastadora neste início de século.

           

Pela ação violenta destes sinais, é possível constatar que a vinda de Jesus está cada vez mais se aproximando e por ser misericordioso, sempre está concedendo oportunidade aos homens por querer que todos se salvem.

           

O apóstolo Pedro advertiu: “Mas o Dia do Senhor virá como ladrão de noite, no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se desfarão, e a terra e as obras que nela há se queimarão” (2ª Pedro 3.10). E concluiu: “Pelo que, amados, aguardando estas coisas, empenhai-vos por sedes achados por ele em paz, sem mácula e irrepreensíveis (2ª Pedro 3.14).

 

quarta-feira, 17 de junho de 2015

O SÁBIO E O FORTE

O SÁBIO E O FORTE

Por Eliezer Andrade

 

“Com a sabedoria edifica-se a casa, e com a inteligência ela se firma; porém, mais poder tem o sábio do que o forte, e o homem de conhecimento, mais do que o robusto” (Provérbios 24.3,5).

 

            Nestes dois versículos Salomão, que é considerado um homem sábio, expõe a sabedoria que recebeu de Deus. Ainda escrevendo sobre a “excelência da sabedoria” em Eclesiastes capítulo 10, ele apresenta a sua conclusão, dizendo: “De tudo o que se tem ouvido, a suma ou o fim, é: “Teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo homem” (Eclesiastes 12.13).

            Estamos vivendo numa época de rebeldia e irreverência, onde o fraco é desrespeitado e a força do mais forte tem prevalecido. A Bíblia fala de um homem pobre que habitava uma pequena cidade onde havia poucos homens. Certo dia veio um grande rei que a sitiou e levantou contra ela uma ofensiva militar, mas foi impedida pela sabedoria desse homem pobre, porém sábio, que a livrou pela sua sabedoria, contudo, ninguém lembrou-se mais daquele homem porque era pobre (Eclesiastes 9.14, 15).

            O apóstolo Pedro fala de uma prestação de contas àquele que é competente para julgar vivos e mortos (I Pedro 4.5). Todavia, tanto ímpios quanto não ímpios, pensando que podem fazer o que bem entendem, não estão preocupados em prestar contas de nada. Jesus iniciou Seu ministério, dando um exemplo: “Porque eu desci do céu, não para fazer a minha própria vontade, e sim a vontade daquele que me enviou” (João 6.38). Esta frase indica que Jesus prestava contas do que fazia. Trabalhava de dia e prestava contas ao Pai, à noite, em oração (Lucas 21.37). Por isso, Jesus que se submetia ao Pai era sempre forte porque era sábio. Quanto mais a pessoa se submete, mais autoridade de Deus receberá. Certa vez, prevendo Sua morte, Jesus prestou contas aos discípulos quando disse “que era necessário seguir para Jerusalém e sofrer muitas coisas dos anciãos e dos sacerdotes e escribas, morrer e ressuscitar no terceiro dia” (Mateus 16.21).

            “A sabedoria edificou a sua casa, lavrou as suas sete colunas” (Provérbios 9.1). Segundo Salomão, a sabedoria possui sete colunas. O apóstolo Tiago conhecia este versículo e em sua epístola, representou com sete palavras as sete colunas da sabedoria, fazendo comparação da sabedoria de baixo com a que vem do alto: “Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica. Mas a sabedoria que vem do alto é, primeiramente, PURA, depois, PACÍFICA, MODERADA, TRATÁVEL, cheia de MISERICÓRDIA e de BONS FRUTOS, sem PARCIALIDADE e sem HIPOCRISIA” (Tiago 3.15, 17).

            Comparando dois homens, um prudente e um insensato em Mateus 7.24, 25, Jesus falou da principal diferença da construção de duas casas – uma sobre a rocha e outra sobre a areia – que não estava na aparência. Jesus estava se referindo ao fundamento que os escribas e fariseus desconheciam. A casa sobre a rocha é o exemplo de uma vida edificada em um relacionamento verdadeiro com Cristo que passará pelo teste do juízo de Deus; enquanto que a casa sobre a areia não. Com sabedoria edifica-se a casa e com entendimento ela é firmada. A diferença entre o inteligente e o sábio, é que o inteligente aprende errando; enquanto o sábio observa o inteligente errar para não fazer a mesma coisa. Vivemos rodeados de pessoas inteligentes, mas não de sábias que pensam que são sábias.

            Quem é forte deve ter paciência com os fracos. A igreja de Tessalônica tinha cristãos insubmissos que precisavam ser advertidos de seu comportamento. Alguns tinham pouco ânimo e precisavam de consolo e a igreja deveria sustentar os fracos e ter paciência com todos reconhecendo suas falhas. Paulo, com sabedoria, rogou àquela igreja que tivesse amor em máxima consideração, consolando os desanimados e amparando os fracos, sendo pacientes para com todos, levando em consideração o trabalho que realizavam (I Tessalonicenses 5.12-14). Na verdade, ninguém nasce forte e o fraco é alguém que precisa se esforçar para vencer e se tornar sábio. Existem fracos arrogantes que pensam que são fortes. Paulo escrevendo aos Gálatas, disse: “Porque, se alguém julga ser alguma coisa, não sendo nada, a si mesmo se engana” (Gálatas 6.3). Deus, em sua misericórdia, não acusa o fraco porque ainda não entendeu, mas espera que ele cresça em sabedoria e entendimento, porque quem anda com Jesus, há de entender o propósito eterno.

 A obra de Deus não é conduzida pela força e a Sua misericórdia é grande e triunfa sobre o juízo. A Bíblia narra que quando Davi se preparou para levar a arca de Deus para Jerusalém, juntou trinta mil escolhidos de Israel e pôs a arca num carro novo guiado por Uzá e Aiô, filhos de Abinadabe. Quando chegaram à eira de Nacom, de solo irregular, os bois tropeçaram e Uzá estendeu a mão à arca de Deus e a segurou para evitar a sua queda. Irado, o Senhor se acendeu contra Uzá e o feriu de morte por irreverência e ali morreu junto à arca de Deus (II Samuel 6.1-7). Embora Uzá tenha violado a Lei sem intenção de fazê-lo, seu erro lhe custou a vida. Deveria ser do seu conhecimento que Deus tempos atrás avisara a Seu povo de que nem mesmo os levitas poderiam tocar os objetos sagrados do tabernáculo e a punição era morte aos transgressores, conforme Números 4.15. Uzá não foi convidado para segurar a arca, mas para guiar o carro novo. A sua motivação foi certa, porém com um princípio errado que gerou sua morte. Os bois tropeçaram, porém jamais a arca de Deus cairia porque estava estabelecida na cruz.

            Muitas vezes queremos ajudar aqueles que tropeçam e podemos nos dar mal. A queda de muitas pessoas ocorre pela necessidade de aprender e quando as ajudamos estamos atrapalhando o trabalho de Deus. Davi presenciou a morte de Uzá, mas não se envolveu. Apenas desgostou-se e deu um nome ao local da tragédia e o fato que envolveu Uzá reavivou o seu temor a Deus (II Samuel 6.9). Se estamos fracos no entendimento, temos que buscar e crescer para nos tornar sábios. Líder nenhum pode pensar que consegue levar a glória de Deus. A Bíblia diz, “Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida”? (Lucas 12.25). Portanto, façamos a nossa parte e Deus fará a dEle. A nossa liberdade consiste naquilo que Deus colocou nas nossas mãos para ser feito.

 Davi agora traz a arca de Deus da casa de Obede-Edom, que foi abençoada, para Jerusalém, com alegria e no ritmo certo (II Samuel 6.10,11). Desta vez a arca foi carregada em lugar de ser transportada de carro (Êxodo 25.14, 15). Quando davam seis passos, sacrificavam bois e carneiros cevados (II Samuel 6.12,13). E Davi deve ter dito: “Bois aqui não tropeçam mais; bois representam a força humana, por isso, eu os sacrifico”. E concluímos com o profeta Zacarias que escreveu: “Não por força nem por violência (ou poder humano), mas pelo meu Espírito, diz o SENHOR dos Exércitos” (Zacarias 4.6).