O SÁBIO E O FORTE
Por Eliezer Andrade
“Com a sabedoria edifica-se a casa, e com a inteligência ela se firma; porém, mais poder tem o sábio do que o forte, e o homem de conhecimento, mais do que o robusto” (Provérbios 24.3,5).
Nestes dois versículos Salomão, que é considerado um homem sábio, expõe a sabedoria que recebeu de Deus. Ainda escrevendo sobre a “excelência da sabedoria” em Eclesiastes capítulo 10, ele apresenta a sua conclusão, dizendo: “De tudo o que se tem ouvido, a suma ou o fim, é: “Teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo homem” (Eclesiastes 12.13).
Estamos vivendo numa época de rebeldia e irreverência, onde o fraco é desrespeitado e a força do mais forte tem prevalecido. A Bíblia fala de um homem pobre que habitava uma pequena cidade onde havia poucos homens. Certo dia veio um grande rei que a sitiou e levantou contra ela uma ofensiva militar, mas foi impedida pela sabedoria desse homem pobre, porém sábio, que a livrou pela sua sabedoria, contudo, ninguém lembrou-se mais daquele homem porque era pobre (Eclesiastes 9.14, 15).
O apóstolo Pedro fala de uma prestação de contas àquele que é competente para julgar vivos e mortos (I Pedro 4.5). Todavia, tanto ímpios quanto não ímpios, pensando que podem fazer o que bem entendem, não estão preocupados em prestar contas de nada. Jesus iniciou Seu ministério, dando um exemplo: “Porque eu desci do céu, não para fazer a minha própria vontade, e sim a vontade daquele que me enviou” (João 6.38). Esta frase indica que Jesus prestava contas do que fazia. Trabalhava de dia e prestava contas ao Pai, à noite, em oração (Lucas 21.37). Por isso, Jesus que se submetia ao Pai era sempre forte porque era sábio. Quanto mais a pessoa se submete, mais autoridade de Deus receberá. Certa vez, prevendo Sua morte, Jesus prestou contas aos discípulos quando disse “que era necessário seguir para Jerusalém e sofrer muitas coisas dos anciãos e dos sacerdotes e escribas, morrer e ressuscitar no terceiro dia” (Mateus 16.21).
“A sabedoria edificou a sua casa, lavrou as suas sete colunas” (Provérbios 9.1). Segundo Salomão, a sabedoria possui sete colunas. O apóstolo Tiago conhecia este versículo e em sua epístola, representou com sete palavras as sete colunas da sabedoria, fazendo comparação da sabedoria de baixo com a que vem do alto: “Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica. Mas a sabedoria que vem do alto é, primeiramente, PURA, depois, PACÍFICA, MODERADA, TRATÁVEL, cheia de MISERICÓRDIA e de BONS FRUTOS, sem PARCIALIDADE e sem HIPOCRISIA” (Tiago 3.15, 17).
Comparando dois homens, um prudente e um insensato em Mateus 7.24, 25, Jesus falou da principal diferença da construção de duas casas – uma sobre a rocha e outra sobre a areia – que não estava na aparência. Jesus estava se referindo ao fundamento que os escribas e fariseus desconheciam. A casa sobre a rocha é o exemplo de uma vida edificada em um relacionamento verdadeiro com Cristo que passará pelo teste do juízo de Deus; enquanto que a casa sobre a areia não. Com sabedoria edifica-se a casa e com entendimento ela é firmada. A diferença entre o inteligente e o sábio, é que o inteligente aprende errando; enquanto o sábio observa o inteligente errar para não fazer a mesma coisa. Vivemos rodeados de pessoas inteligentes, mas não de sábias que pensam que são sábias.
Quem é forte deve ter paciência com os fracos. A igreja de Tessalônica tinha cristãos insubmissos que precisavam ser advertidos de seu comportamento. Alguns tinham pouco ânimo e precisavam de consolo e a igreja deveria sustentar os fracos e ter paciência com todos reconhecendo suas falhas. Paulo, com sabedoria, rogou àquela igreja que tivesse amor em máxima consideração, consolando os desanimados e amparando os fracos, sendo pacientes para com todos, levando em consideração o trabalho que realizavam (I Tessalonicenses 5.12-14). Na verdade, ninguém nasce forte e o fraco é alguém que precisa se esforçar para vencer e se tornar sábio. Existem fracos arrogantes que pensam que são fortes. Paulo escrevendo aos Gálatas, disse: “Porque, se alguém julga ser alguma coisa, não sendo nada, a si mesmo se engana” (Gálatas 6.3). Deus, em sua misericórdia, não acusa o fraco porque ainda não entendeu, mas espera que ele cresça em sabedoria e entendimento, porque quem anda com Jesus, há de entender o propósito eterno.
A obra de Deus não é conduzida pela força e a Sua misericórdia é grande e triunfa sobre o juízo. A Bíblia narra que quando Davi se preparou para levar a arca de Deus para Jerusalém, juntou trinta mil escolhidos de Israel e pôs a arca num carro novo guiado por Uzá e Aiô, filhos de Abinadabe. Quando chegaram à eira de Nacom, de solo irregular, os bois tropeçaram e Uzá estendeu a mão à arca de Deus e a segurou para evitar a sua queda. Irado, o Senhor se acendeu contra Uzá e o feriu de morte por irreverência e ali morreu junto à arca de Deus (II Samuel 6.1-7). Embora Uzá tenha violado a Lei sem intenção de fazê-lo, seu erro lhe custou a vida. Deveria ser do seu conhecimento que Deus tempos atrás avisara a Seu povo de que nem mesmo os levitas poderiam tocar os objetos sagrados do tabernáculo e a punição era morte aos transgressores, conforme Números 4.15. Uzá não foi convidado para segurar a arca, mas para guiar o carro novo. A sua motivação foi certa, porém com um princípio errado que gerou sua morte. Os bois tropeçaram, porém jamais a arca de Deus cairia porque estava estabelecida na cruz.
Muitas vezes queremos ajudar aqueles que tropeçam e podemos nos dar mal. A queda de muitas pessoas ocorre pela necessidade de aprender e quando as ajudamos estamos atrapalhando o trabalho de Deus. Davi presenciou a morte de Uzá, mas não se envolveu. Apenas desgostou-se e deu um nome ao local da tragédia e o fato que envolveu Uzá reavivou o seu temor a Deus (II Samuel 6.9). Se estamos fracos no entendimento, temos que buscar e crescer para nos tornar sábios. Líder nenhum pode pensar que consegue levar a glória de Deus. A Bíblia diz, “Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida”? (Lucas 12.25). Portanto, façamos a nossa parte e Deus fará a dEle. A nossa liberdade consiste naquilo que Deus colocou nas nossas mãos para ser feito.
Davi agora traz a arca de Deus da casa de Obede-Edom, que foi abençoada, para Jerusalém, com alegria e no ritmo certo (II Samuel 6.10,11). Desta vez a arca foi carregada em lugar de ser transportada de carro (Êxodo 25.14, 15). Quando davam seis passos, sacrificavam bois e carneiros cevados (II Samuel 6.12,13). E Davi deve ter dito: “Bois aqui não tropeçam mais; bois representam a força humana, por isso, eu os sacrifico”. E concluímos com o profeta Zacarias que escreveu: “Não por força nem por violência (ou poder humano), mas pelo meu Espírito, diz o SENHOR dos Exércitos” (Zacarias 4.6).
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